terça-feira, 20 de outubro de 2026

SBC: quase 3 em cada 10 jovens brasileiros têm hipertensão

SBC: quase 3 em cada 10 jovens brasileiros têm hipertensão

por R2Sites

Publicado em 20/10/2026,

às 00h00

A pesquisa avaliou mais de 6 mil crianças e adolescentes e encontrou 28,3% com hipertensão e 11,6% com pré-hipertensão. Casos foram mais comuns em meninos de 15 a 18 anos e também em crianças com menos de 7.

Um estudo nacional indica que a hipertensão arterial atinge 28,3% de crianças e adolescentes até 18 anos no Brasil, enquanto a pré-hipertensão alcança 11,6% desse mesmo grupo etário. A pesquisa Brasil Coração Saudável, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), avaliou fatores de risco cardiovascular em uma amostra de mais de seis mil jovens.

O levantamento aponta ainda que a hipertensão é mais frequente em meninos de 15 a 18 anos, com prevalência de 40,7%, e também em meninos com menos de 7 anos, com 39,1%. Em termos de excesso de peso, uma em cada três crianças e adolescentes analisados apresenta sobrepeso ou obesidade: 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade.

As diferenças por faixa etária e sexo aparecem também nas categorias de peso: o sobrepeso é mais prevalente entre meninas de 11 a 14 anos (24,0%), enquanto a obesidade concentra-se mais nos meninos de 7 a 10 anos (17,1%).

A pesquisa relaciona o excesso de peso com maior frequência de hipertensão. Entre os que têm obesidade, quase metade apresenta pressão arterial elevada (48,4%). A proporção de hipertensão cresce com o aumento do peso corporal, chegando a 60,5% entre obesos de 15 a 18 anos.

“Esses fatores, quando combinados, podem comprometer a saúde cardiovascular e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares.”

O cardiólogo Álvaro Avezum, membro da SBC e coordenador do projeto Coração Saudável, aponta que a redução da prática de atividade física, associada a alimentação inadequada e hábitos que elevam o estresse, contribui diretamente para o aumento do risco cardiovascular, incluindo obesidade e hipertensão arterial sistêmica.

Estados e amostra pesquisada

  • Minas Gerais: 2.973 participantes
  • Rio Grande do Sul: 3.059 participantes
  • São Paulo: 60 participantes

Entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026, foram pesquisadas 6.092 crianças e adolescentes em 38 escolas desses estados, segundo o estudo.

O levantamento também registrou comportamentos sedentários e baixos níveis de atividade física: 59% dos entrevistados passam mais de três horas por dia em frente a telas, e 66% fazem apenas uma a duas horas de atividade física por semana. Entre os tipos de tela, o celular aparece com 86% de uso e a TV com 80%. A pesquisa indica que 93% praticam algum exercício na escola.

Os resultados reforçam o alerta sobre a combinação de fatores comportamentais e nutricionais que elevam o risco cardiovascular desde a infância. Para especialistas envolvidos no estudo, os dados pressionam por medidas preventivas em escolas, orientações às famílias e políticas públicas que incentivem atividade física, alimentação saudável e controle do tempo de tela entre crianças e adolescentes.

Os achados servem como referência para gestores de saúde e educação ao planejar intervenções direcionadas às faixas etárias mais afetadas e para monitoramento contínuo das tendências de saúde infantil no país.

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