Os planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tratam o esporte como política pública ligada à cidadania e à educação, mas divergem em prioridades sobre infraestrutura, apoio a atletas e políticas para o esporte feminino.
Ambos relacionam esporte à educação e ao desenvolvimento juvenil, mas com enfoques distintos. O plano do candidato do PL apresenta o esporte como ferramenta para retirar jovens das ruas e formar caráter, enquanto o programa do candidato do PT o insere também como vetor cultural, econômico e turístico, com ênfase em políticas estruturantes do mandato 2023-2026.
A proposta do PL inclui iniciativas como a integração do esporte à educação integral e a abertura das escolas nos períodos de recesso por meio do programa Escola nas Férias, sem detalhar como será a adesão ou a operacionalização. No documento, o esporte aparece como instrumento de formação individual e disciplina.
“Preparar uma família para a vida (…) envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula sozinha não ensina. Tudo isso faz parte do que é necessário para uma família subir na vida pelo próprio esforço”
Essa citação é apresentada no programa do candidato do PL.
O programa do PT propõe a continuidade e ampliação de ações já iniciadas no último mandato, com destaque para o Plano Nacional do Esporte (PNEsporte), obras de infraestrutura previstas no Novo PAC e o reconhecimento do esporte como setor com potencial econômico e turístico. Entre as medidas de formação, está a criação da Universidade do Esporte, aprovada na Câmara, que será uma instituição de ensino superior voltada à pesquisa, inovação e formação de quadros técnicos para gestão esportiva e alto rendimento.
“Queremos um país que reconheça a cultura, a economia criativa, e o esporte como forças estratégicas do desenvolvimento nacional, capazes de gerar trabalho, renda, inovação, pertencimento, qualidade de vida e desenvolvimento em todos os territórios brasileiros”
Essa declaração consta do programa do candidato do PT.
Em relação ao esporte feminino, as propostas contrastam. No documento do PL, a única menção específica ao tema é a exclusão das atletas transexuais. O plano do PT aponta as mulheres como protagonistas e envolve investimentos para a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 no Brasil, com ações previstas em oito capitais e incentivo ao potencial turístico do torneio. A Copa de 2027 será a primeira edição do evento realizada na América do Sul.
Sobre apoio financeiro, o plano do PL trata do aperfeiçoamento de bolsas para atletas de alto rendimento em parceria com a iniciativa privada, sem mencionar o programa Bolsa Atleta. O programa do PT retoma medidas do período anterior, quando, em 2026, o Bolsa Atleta teve reajuste e alcançou 11 mil atletas contemplados, entre categorias do infantil ao olímpico.
Na gestão de equipamentos, o PT prevê a continuidade de investimentos em centros esportivos e unidades do programa Arena Brasil, além de gestão direta em parceria com estados e municípios. O PL valoriza o uso do esporte como política social dentro do ambiente escolar e comunitário. As diferenças entre os planos reforçam como o esporte poderá ser tratado de forma diversa dependendo do vencedor do segundo turno.
