Fumaça de queimadas deixa Manaus com pior ar entre capitais

Fumaça de queimadas deixa Manaus com pior ar entre capitais

por R2Sites

Publicado em 16/10/2026,

às 00h00

Na manhã de sexta (16), Manaus registrou índice de 167 — classificado como insalubre — devido à fumaça de queimadas. Sistema da UEA aponta bairros entre 'muito ruim' e 'péssima'; em Aleixo PM alcançou 139,6 µg/m³.

Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras na manhã de sexta-feira (16), com índice de 167 — classificado como insalubre — em razão da fumaça oriunda de queimadas.

Por volta das 6h, a plataforma internacional de monitoramento indicou o índice de 167. O sistema eletrônico de vigilância ambiental da Universidade do Estado do Amazonas apontou agravamento da situação, com a maior parte da cidade variando entre as categorias muito ruim e péssima.

No bairro Aleixo, na zona centro-sul, a concentração de partículas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico, considerado péssimo. No bairro Tarumã, na zona oeste, o índice registrado foi de 39 microgramas por metro cúbico, classificado como moderado.

Como medida preventiva diante da piora na qualidade do ar, as aulas presenciais da rede municipal de ensino foram suspensas nesta sexta-feira. A Universidade do Estado do Amazonas também suspendeu as aulas e as demais atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, na capital e no interior, durante os três turnos, e parte das atividades administrativas passou a ser realizada remotamente.

A fumaça que atingiu Manaus teve origem em queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. As partículas liberadas pelo fogo podem permanecer suspensas no ar por vários dias e ser transportadas pelo vento por longas distâncias, e a falta de chuvas contribuiu para a permanência dos poluentes na atmosfera.

O avanço das queimadas levou o governo federal a reforçar o monitoramento dos impactos sobre a saúde da população amazonense. Segundo o Ministério da Saúde, 12 municípios já foram identificados como necessitando de algum tipo de apoio nos serviços de saúde. Equipes da Força Nacional do SUS, em articulação com as autoridades sanitárias do estado e dos municípios, realizam diagnóstico da situação da rede de atendimento.

O Ministério da Saúde também avalia o consumo e a capacidade de fornecimento de oxigênio nas unidades de saúde, incluindo os distritos sanitários especiais indígenas, com o objetivo de preparar a rede para eventuais emergências e garantir a disponibilidade de insumos essenciais. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças pré-existentes foram apontados como grupos que exigem maior atenção, devido ao risco de agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares.

No combate aos incêndios, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis informou que extinguiu 303 focos no Amazonas desde o início das operações. Para reforçar o trabalho, 11 aeronaves foram disponibilizadas, entre aviões de combate direto ao fogo, helicópteros e uma aeronave de apoio logístico — entre elas, seis aviões Air Tractor e um avião KC-390 mobilizado pelo Ministério da Defesa para lançamento de grandes volumes de água.

No dia 10 de outubro, o governo do estado decretou situação de emergência em cerca de 36 municípios por causa das queimadas. As medidas de monitoramento da saúde e de combate ao fogo devem continuar enquanto persistirem as condições que favorecem a propagação da fumaça.

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