quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Linfoma plasmablástico tipo B: câncer agressivo que matou o cantor Netinho

Linfoma plasmablástico tipo B: câncer agressivo que matou o cantor Netinho

por R2Sites

Publicado em 14/10/2026,

às 00h00

Trata-se de um subtipo raro e agressivo de linfoma não Hodgkin que atinge células B e pode se espalhar rápido pelo sistema linfático. Causa acúmulo desordenado de linfócitos e compromete órgãos como o baço.

O linfoma não Hodgkin tipo B plasmablástico foi a doença que tirou a vida do cantor Netinho na terça-feira (13), em Salvador. O diagnóstico pertence a um grupo de cânceres que começam no sistema linfático — rede de vasos, gânglios e órgãos como amígdalas e baço — responsável pela defesa do organismo.

O sistema linfático conduz a linfa, líquido claro rico em linfócitos, células de defesa que protegem contra infecções. No linfoma não Hodgkin, essas células sofrem mutações e se acumulam de forma desordenada nos linfonodos e, às vezes, em outros órgãos. Quando os linfócitos afetados são do tipo B, configura-se o linfoma de células B, que responde por cerca de 85% dos casos da doença.

O subtipo plasmablástico, que foi citado no caso do cantor, é considerado mais raro e ocorre com maior frequência em pacientes imunossuprimidos. Sobre esse subtipo, a hematologista do Hospital A.C. Camargo Cancer Center Talita Maira Bueno da Silveira comentou que se trata de uma forma mais agressiva e com menor chance de cura em comparação a alguns outros linfomas não Hodgkin.

“É um tipo específico desse linfoma, mais agressivo e mais difícil de tratar. A chance de cura desse linfoma é uma chance menor do que alguns outros linfomas não Hodgkin mais conhecidos”

Segundo estimativas nacionais, serão diagnosticados 10.180 novos casos de linfomas não Hodgkin no país neste ano, sendo 5.370 em homens e 4.810 em mulheres. Os sintomas variam conforme o subtipo e o ritmo de crescimento, mas frequentemente incluem gânglios aumentados, febre, suores noturnos intensos, perda de peso inexplicável e fadiga. Outras manifestações possíveis são erupções cutâneas, náuseas, vômitos, dor abdominal, coceira, tosse, dor de cabeça e dificuldade de concentração.

Formas mais agressivas podem provocar dor no pescoço, nos braços ou no abdome, dificuldade para respirar, fraqueza nos membros e confusão mental, segundo o hospital especializado.

Os fatores de risco associados incluem idade, sexo, imunossupressão, doenças autoimunes, exposição à radiação e a substâncias tóxicas, além de infecções virais e bacterianas como vírus de Epstein-Barr, HIV, HTLV e Helicobacter pylori.

O diagnóstico do linfoma envolve exames como biópsia de linfonodos, punção de medula, raio‑X, tomografia, ressonância magnética e PET‑CT. O estadiamento define a extensão da doença, com classificação de I a IV; a letra E indica acometimento de órgão fora do sistema linfático e a letra S a presença no baço.

O tratamento depende do estágio, dos sintomas e do estado geral do paciente. Modalidades comuns incluem quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais, terapias-alvo e transplante de células-tronco. Nos últimos anos, houve incorporação de estratégias mais dirigidas às células tumorais e de terapias celulares que atuam reativando o sistema imunológico.

“Essa é uma nova modalidade de tratamento que não ataca diretamente o tumor, e, sim, reativa o sistema imunológico para que ele ataque o tumor”

Atualmente, existem duas modalidades aprovadas para pacientes que não respondem às terapias de primeira linha: medicamentos biespecíficos que reativam o sistema imune e a terapia CAR‑T comercial — esta última não sendo produzida no país, mas passível de uso em pacientes com linfoma do subtipo B.

O conhecimento sobre subtipos, diagnóstico e avanços terapêuticos é fundamental para orientar tratamentos e pesquisas futuras, além de orientar familiares e pacientes sobre sinais de alerta e opções de cuidado.

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