quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Agro avança e ocupa 30,5% do entorno de áreas protegidas na Amazônia

Agro avança e ocupa 30,5% do entorno de áreas protegidas na Amazônia

por R2Sites

Publicado em 14/10/2026,

às 00h00

MapBiomas (Coleção 11) divulgou nesta quarta (14) o mapeamento do uso da terra na Amazônia entre 1985 e 2025. Em 2025, a agropecuária ocupava cerca de 65,2 milhões ha no bioma, com 13,6 milhões ha no entorno de áreas protegidas.

Em 2025, a agropecuária já ocupava 30,5% dos territórios próximos a áreas protegidas na Amazônia — incluindo Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Territórios Quilombolas — apontou um recorte da Coleção 11 do MapBiomas divulgado nesta quarta-feira (14).

O levantamento, que reúne cobertura e uso da terra no Brasil entre 1985 e 2025, mostrou que a atividade ocupava, no bioma Amazônia, entre 65,2 e 65,3 milhões de hectares em 2025. Desse montante, 13,6 milhões de hectares estavam localizados no entorno dos locais com proteção legal da vegetação nativa. No total do bioma, a agropecuária respondeu por 15,5% do território — com 50,8 milhões de hectares de pastagem (12% do bioma) e 8,6 milhões de hectares destinados à agricultura (2% do bioma).

O estudo também quantificou a relação entre estradas e conversão da terra. Das 157 milhões de hectares situadas a até 5 km dos 618 mil km de vias mapeadas, 40,2% foram ocupados por atividades agropecuárias — o equivalente a 63 milhões de hectares e a mais de 96% da área ocupada pela agropecuária no bioma. À medida que a distância das vias aumentou, a participação da agropecuária diminuiu, alcançando 26,7% nas áreas mais afastadas.

“As estradas facilitam o acesso a áreas de vegetação nativa, favorecendo processos de ocupação e conversão da terra. No entorno e no interior das áreas protegidas, essa pressão pode se refletir na expansão da agropecuária, da mineração e de outras atividades que modificam a cobertura e o uso da terra”, alertou Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e integrante da equipe do MapBiomas Amazônia.

O recorte indica ainda ritmo histórico de transformação: em 41 anos, a agropecuária cresceu 561% no entorno das áreas protegidas da Amazônia. Entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, totalizando 74,6 milhões de hectares antropizados ao somar áreas já transformadas anteriormente. A formação florestal foi a mais afetada, com perda de 49,7 milhões de hectares (redução de 14,8% no período).

Nos dados sobre desmatamento, o estudo registrou 693 mil hectares de desmatamento em 2025 — o menor valor da série histórica — dos quais 639 mil hectares foram em vegetação primária e 54 mil hectares em vegetação secundária. A mineração também avançou: passou de 32 mil hectares no início da série para 440 mil hectares em 2025, uma expansão de 14 vezes ao longo de 41 anos.

Metodologicamente, a análise cruzou a coleção 11 do MapBiomas com bases de estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e com dados do OpenStreetMap. O total de 618 mil km de vias inclui trechos que não fazem parte da malha rodoviária oficial.

Os números reforçam a tensão entre atividades econômicas e áreas protegidas da Amazônia, com implicações para conservação, serviços ambientais e políticas públicas de fiscalização e planejamento territorial. O levantamento aponta a necessidade de monitoramento contínuo e de medidas que reduzam a pressão de vias e expansão agrícola sobre áreas de vegetação nativa.

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