Robert Hall (Stanford) e Michael Woodford (Columbia) foram reconhecidos por modelos microeconômicos que orientam a estabilidade macro. Suas ideias já guiam bancos centrais e ministérios da Fazenda globalmente.
Os economistas norte-americanos Robert Hall e Michael Woodford receberam, nessa segunda-feira (12), o Prêmio Nobel de Economia de 2026 por décadas de trabalho no desenvolvimento de modelos com base microeconômica que visam estabilizar economias. As contribuições dos dois são utilizadas atualmente por bancos centrais e ministérios da Fazenda em todo o mundo.
Michael Woodford, de 70 anos, da Universidade de Columbia, e Robert Hall, de 83 anos, da Universidade de Stanford, foram reconhecidos por formular conceitos que passaram a orientar a ação das autoridades monetárias, como a chamada “orientação prospectiva” sobre a trajetória futura da política de juros, a ideia de inflação “rígida” e a noção de “hiato do produto” como medida da pressão da demanda.
“Graças a eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no nível de consumo das famílias”, afirmou John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas.
O trabalho conjunto e individual dos laureados teve impacto direto nas ferramentas usadas para enfrentar choques recentes: Woodford disse que, em contraste com a resposta a choques do petróleo nos anos 1970, a nova estrutura foi útil durante a crise financeira global do final dos anos 2000 para reforçar instrumentos tradicionais da política monetária. Segundo ele, a prática de fazer declarações explícitas sobre a trajetória provável das taxas de juros passou a integrar a resposta política a partir de 2009.
“Fazer declarações mais explícitas sobre a trajetória futura provável da política de taxas de juros, em vez de depender simplesmente da capacidade de reduzir ainda mais as taxas de juros imediatamente, foi uma parte importante da resposta política a partir de 2009”, disse Woodford.
Hall contribuiu com a ideia — apresentada em artigo de 1978 — de que as decisões de consumo das famílias refletem suas expectativas, hipótese que foi incorporada por Woodford em modelos sobre determinação do consumo. Hall também atuou como consultor do Departamento do Tesouro dos EUA, do Departamento de Justiça e do Conselho do Federal Reserve.
“Passei minha carreira tentando entender como a economia funciona. Quando achava que tinha uma ideia nova, o próximo passo era descobrir se ela era realmente nova, se estava correta e se era relevante”, disse Hall.
Os trabalhos dos vencedores continuam sendo referência em um momento em que muitos bancos centrais enfrentam pressões inflacionárias — o texto informa que esses bancos centrais estão atualmente lidando com um choque de inflação gerado pela guerra iniciada pelos Estados Unidos (EUA) no Irã — e em que há debate sobre a eficácia de instrumentos como a orientação prospectiva, diante da grande incerteza econômica e de ceticismo manifestado por algumas autoridades, entre elas o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh.
O Prêmio do Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel tem valor de 12 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão) e foi instituído pelo Banco Central da Suécia; foi concedido pela primeira vez em 1969. A maioria dos premiados anteriores é dos Estados Unidos e apenas três mulheres já receberam o prêmio, a mais recente sendo Claudia Goldin, em 2023. Os vencedores do ano passado foram Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt.
O reconhecimento a Hall e Woodford consagra influência teórica e prática que moldou a atuação de autoridades econômicas nas últimas décadas, mantendo em evidência a discussão sobre quais instrumentos serão mais eficazes para estabilizar economias diante de choques futuros.
