quarta-feira, 14 de outubro de 2026

FMI corta projeção regional e alerta para riscos na América Latina

FMI corta projeção regional e alerta para riscos na América Latina

por R2Sites

Publicado em 13/10/2026,

às 00h00

O FMI cortou a previsão para América Latina e Caribe, para 2,3%. Relatório afirma que IA beneficiou pouco a região e que choque energético da guerra no Oriente Médio eleva riscos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as previsões de crescimento para a América Latina e o Caribe em seu relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado nesta terça-feira (13) em Bangcoc. A instituição afirmou que, apesar do avanço da inteligência artificial (IA) em algumas economias, a maior parte da região estava se beneficiando pouco desse boom e sofria com o choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio.

O FMI projetou um crescimento regional de 2,3% neste ano. Esse índice representou queda em relação ao crescimento de 2,5% previsto para 2025 e à previsão de julho, de 2,4%, para 2026. Para 2027, o Fundo reduziu a projeção de 2,7% para 2,5%.

O relatório destacou que a guerra no Oriente Médio transformou a energia em um choque inflacionário global: o petróleo Brent estava cerca de 45% acima do nível pré-guerra. Custos mais elevados de combustível e energia estavam pressionando famílias e empresas, enquanto o temor de inflação persistente ajudou a elevar os custos globais de financiamento a níveis não vistos em várias décadas.

“Economia global dividida”,

Segundo o FMI, a resposta regional ao choque energético variava conforme os ganhos dos exportadores de commodities superavam as perdas dos importadores de energia e conforme a credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais. O relatório observou ainda que

“há pouca compensação proveniente da recuperação do setor tecnológico na maioria dos países”.

Entre as maiores economias latino-americanas, a Argentina teve a maior revisão: o Fundo passou a esperar que o crescimento argentino desacelerasse para 2,1% neste ano, ante 4,5% em 2025 — bem abaixo dos 3,5% previstos em julho — e reduziu a previsão para 2027 de 4% para 3,5%. O relatório mostrou que a inflação argentina deveria cair para 32,5% neste ano, ante 41,9% em 2025.

No caso do Brasil, as previsões caíram para 2,2% neste ano e para 1,9% em 2027, ante 2,4% e 2,2% nas projeções de julho. O FMI citou condições monetárias ainda restritivas, a retirada do apoio fiscal e a incerteza global como fatores para a desaceleração esperada.

O México teve leitura distinta: a previsão para 2026 foi elevada de 1,2% para 1,5%, impulsionada por exportações e por investimentos associados a cadeias de suprimento ligadas à IA; contudo, a projeção para 2027 foi reduzida de 1,9% para 1,8%.

Outros números do relatório indicaram queda do crescimento do Chile de 2,5% para 0,6% neste ano, contração da Bolívia em torno de 3,0% após retração de 1,6% em 2025, e aceleração da inflação na Venezuela de 252% para 467,9%.

O FMI alertou que os riscos permaneciam inclinados para o lado negativo e ressaltou que turbulências nos mercados poderiam afetar as economias emergentes por meio de custos mais altos de endividamento público, pressão sobre moedas e condições financeiras locais mais restritivas. Para países da Bahia e do Brasil, as projeções reforçaram a importância de políticas macroeconômicas críveis e de atenção aos efeitos das variações de preço de energia sobre famílias e setores produtivos.

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