No segundo turno, os programas divergem: um defende ampliar jornada escolar e creches; outro foca em escolas militares, ensino técnico e voucher‑creche. Também há meta de 80% de alfabetização até 2030.
Os planos de governo dos dois candidatos que se enfrentarão no segundo turno marcado para o dia 25 de outubro colocam propostas divergentes para a educação: enquanto o candidato à reeleição prioriza a expansão da educação em tempo integral e a construção de creches, o outro candidato foca na ampliação de escolas cívico‑militares, no ensino técnico integrado ao mercado e em um voucher‑creche.
O candidato que defende educação como instrumento de mobilidade social estabelece, entre metas, alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa até 2030, no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. No plano constam a construção de 3.562 creches e pré‑escolas em 2.360 municípios por meio do Novo PAC e a retomada de obras paralisadas de creches, escolas e quadras esportivas. Também há promessa de ampliar matrículas em tempo integral e reforçar programas como o Pé‑de‑Meia.
“a educação é um pacto inegociável com o futuro, um investimento essencial para o desenvolvimento sustentável, inclusivo e soberano do Brasil”
O plano rival insere a educação no eixo chamado “Brasil que prepara – para sua família ter as ferramentas para vencer” e coloca a família como centro das políticas públicas. Entre suas propostas estão a reformulação do ensino técnico para aproximar escolas e empresas, a expansão das escolas cívico‑militares e a transferência do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Em relação à educação infantil, propõe ampliar oferta em período integral e conceder voucher‑creche quando não houver vaga pública, sem detalhar a origem dos recursos.
“uma escola que ensina, e não que doutrina, respeitando os valores que os pais passam em casa”
Sobre alfabetização, o plano que prioriza família e mercado anuncia preferência pelo método fônico, voltado à associação entre sons e letras. Na lógica de financiamento, esse plano condiciona repasses orçamentários a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem. Por outro lado, o plano oposto prevê a manutenção da política de reajuste do Piso Nacional do Magistério, referência obrigatória para o vencimento‑base inicial, calculado com base na Lei 15.437/26.
Para a recomposição de aprendizagens, há proposta de estratégia nacional permanente com foco nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e no ensino médio. Uma iniciativa citada no outro programa é o Programa Acolher, que prevê remuneração a alunos com bom desempenho para oferecer reforço a colegas com dificuldades. Também constam medidas de formação e valorização docente, como o Pé‑de‑Meia Licenciatura e o Bolsa Mais Professores.
As diferenças de ênfase entre os dois planos reverberam na forma de lidar com gestão escolar, financiamento e prioridades curriculares. Essas propostas devem orientar o debate público até o segundo turno e influenciar decisões de estados e municípios sobre políticas locais de educação, incluindo medidas de infraestrutura, formação de professores e programas de tempo integral.
