A Polícia Federal afirmou não haver anexos, documentos ou provas do depoimento citado por revista nesta sexta. A reportagem dizia que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria repassado dinheiro a um documentário sobre o presidente Lula.
A Polícia Federal negou a existência de um depoimento em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria afirmado ter repassado dinheiro para um documentário sobre o presidente Lula, candidato à reeleição. A informação sobre o suposto depoimento foi divulgada nesta sexta-feira (9) por uma revista.
Em nota, a Polícia Federal informou que não foram entregues quaisquer anexos, documentos ou informações que comprovem o teor do que foi divulgado pela reportagem. A corporação frisou a inexistência do depoimento que teria citado o financiamento.
O advogado de Daniel Vorcaro, Daniel Bialski, disse não ter conhecimento sobre o suposto financiamento e esclareceu que não estava à frente da defesa do ex-banqueiro quando propostas de colaboração foram apresentadas. Bialski garantiu que não houve nenhum novo depoimento à Polícia Federal ou a qualquer outro órgão tratando desse assunto e afirmou não ter tido acesso a qualquer documento que comprove tal repasse. Segundo o advogado, seu cliente nunca lhe relatou ter participado desse financiamento.
A Advocacia-Geral da União comunicou que irá pedir a publicação de direito de resposta e a correção das informações divulgadas, por entender que houve divulgação de conteúdo inverídico e gravemente ofensivo a autoridades federais.
Juristas do grupo Prerrogativas pediram que a Polícia Federal realize perícia no áudio divulgado pela reportagem. Para o grupo, existem suspeitas de que a gravação tenha sido adulterada com a finalidade de interferir no segundo turno das eleições presidenciais.
O episódio trouxe à tona uma comparação com um caso anterior envolvendo Daniel Vorcaro: naquele episódio, Vorcaro repassou, a pedido de Flávio Bolsonaro, mais de R$ 60 milhões para supostamente financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao contrário do que consta na reportagem desta sexta, Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido o dinheiro a Vorcaro.
O caso reúne elementos com potencial efeito no tabuleiro eleitoral: a existência ou não de depoimentos, a autenticidade de áudios e a resposta oficial de órgãos como a Polícia Federal e a Advocacia-Geral da União devem orientar os próximos passos. A abertura de perícia no material divulgado e o pedido de direito de resposta são medidas que podem alterar a circulação da versão inicial da reportagem.
Nas próximas etapas, caberá à Polícia Federal avaliar eventuais pedidos de perícia e à Advocacia-Geral da União acompanhar e requerer as publicações de correção. A evolução das apurações e as decisões sobre eventual divulgação de provas serão elementos-chave para esclarecer se houve ou não repasses e se gravações foram manipuladas.
