O site anunciou que vai suspender conteúdo político até o segundo turno e removeu publicações eleitorais. Vídeo citava Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal e vinculava a ação ao grupo Hyperkids África.
Um site que oferecia criptomoedas em troca de publicações de apoio ao deputado Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não vai tratar de política até o segundo turno das eleições e removeu do ar toda a comunicação com teor eleitoral.
A página havia divulgado que se tratava de
“um movimento que une apoio ao voto 22 e a proposta de ajuda às Hyperkids a concluir sua casa em Kampala”
Segundo o material divulgado originalmente, o vídeo que expunha o esquema citava ainda os nomes do deputado Nikolas Ferreira, do candidato Flávio Bolsonaro e de Pablo Marçal. O perfil Hyperkids África, grupo de jovens de Uganda conhecido por danças virais, tem cerca de 13 milhões de seguidores e chegou a publicar conteúdo relacionado ao esquema.
O vídeo foi retirado do ar. Havia relatos de que o Hyperkids teria se comprometido a devolver os tokens recebidos após reação negativa do público.
A Lei das Eleições estabelece que é proibida a veiculação de propaganda eleitoral paga na internet, salvo o impulsionamento de conteúdo. Em comunicado na própria página, o site afirmou que nunca teve a intenção de infringir a legislação e que removeria toda a comunicação política.
“Nunca teve a intenção de infringir qualquer legislação.”
O comunicado também informou que o projeto vai focar, até dia 25 de outubro, apenas no apoio ao grupo das crianças de Uganda.
A campanha de Flávio Bolsonaro declarou desconhecer a autoria do site e informou que vai tomar todas as medidas judiciais cabíveis contra a publicação. Por outro lado, a Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral a identificação dos responsáveis e a investigação de possíveis crimes eleitorais.
O caso levanta dúvidas sobre a circulação de tokens e outras formas de incentivo financeiro vinculadas a mensagens políticas durante o período eleitoral, além de colocar em foco a utilização de influenciadores e perfis estrangeiros em campanhas. A apuração sobre a origem do site, a forma de distribuição dos tokens e eventuais infrações eleitorais deve seguir com pedidos de investigação e medidas judiciais das partes envolvidas.
O grupo Hyperkids foi procurado para posicionamento sobre o episódio. Até o momento, o principal desdobramento público é a remoção do vídeo e a promessa do site de suspender atividades políticas até o segundo turno, com foco no apoio declarado às crianças de Uganda até 25 de outubro.
