Estudantes ocupam ruas por democracia e educação antes do 2º turno

Estudantes ocupam ruas por democracia e educação antes do 2º turno

por R2Sites

Publicado em 18/10/2026,

às 00h00

Milhares de estudantes foram às ruas defender a democracia e a educação pública. UNE, com Bianca Borges, critica militarização e privatização e convoca universitários e secundaristas.

A retomada das ruas pelo movimento estudantil, motivada pela preocupação com os rumos do país e os riscos às instituições democráticas, tem reunido milhares de jovens em diversas cidades às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. As mobilizações articulam defesa da educação pública, críticas a propostas de militarização e privatização do ensino e posicionamentos sobre os candidatos.

Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), tem destacado o protagonismo de universitários e secundaristas nos atos e resgatado a trajetória histórica dos estudantes em momentos políticos decisivos do Brasil, como a resistência à ditadura militar, as Diretas Já, a campanha pelo Fora Collor e as mobilizações contra governos recentes. Segundo a dirigente, as manifestações não se limitam ao calendário eleitoral, mas se vinculam à defesa da universidade pública e às condições de permanência dos estudantes de baixa renda.

“Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”,

No debate sobre ameaças ao sistema democrático, a UNE relaciona a defesa da educação pública à garantia de direitos sociais e à soberania. A entidade aponta desafios concretos enfrentados pelas instituições federais de ensino, entre eles o subfinanciamento e a necessidade de ampliar a assistência estudantil para assegurar que alunos de baixa renda concluam os cursos.

As manifestações ocorrem em meio a decisões judiciais recentes: na última sexta-feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou pedido da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para barrar publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE. A decisão mantém a possibilidade de circulação de conteúdo de lideranças que participam das mobilizações.

“Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça. Isso é da própria vocação dos estudantes brasileiros, desde a fundação da UNE tem sido assim”,

Em 7 de outubro de 2026, houve um ato no centro do Rio de Janeiro, entre a Candelária e a Cinelândia, que foi lembrado por manifestantes como semelhante, em dimensão simbólica, à Passeata dos 100 mil de 1968; nas falas do evento, houve reverência a Edson Luís, símbolo da luta estudantil contra o autoritarismo. A UNE tem ressaltado a continuidade histórica dessas mobilizações e a persistência da juventude na cena política.

Perfil da liderança: Bianca Borges, 25 anos, estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), nasceu em Itapevi e foi criada em Praia Grande. Assumiu a presidência da UNE para o mandato 2025–2027. Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde ingressou em 2017, teve atuação em diretórios estudantis — foi coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP e diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto — e presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), onde liderou resistências a propostas de privatização e militarização do ensino estadual.

Entre os próximos passos, a UNE pretende manter a organização estudantil para além do período eleitoral, transformar reivindicações em direitos efetivos e pressionar por políticas públicas que revertam o subfinanciamento das universidades e ampliem a assistência estudantil. A estratégia do movimento combina atos nas ruas com articulações institucionais para tentar garantir financiamento e condições de permanência estudantil nas instituições públicas.

As mobilizações estudantis, ao somar memória histórica e reivindicações atuais, colocam a pauta da educação e da defesa democrática no centro do debate público às vésperas da definição do segundo turno.

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