quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Queimadas no Amazonas aumentam risco de doenças para povos indígenas

Queimadas no Amazonas aumentam risco de doenças para povos indígenas

por R2Sites

Publicado em 13/10/2026,

às 00h00

Levantamento do Observatório de Clima e Saúde aponta alta de PM2,5 e aumento de focos de incêndio no Amazonas. A poluição ameaça comunidades indígenas, que enfrentam barreiras ao acesso a serviços de saúde.

Queimadas e incêndios florestais no Amazonas elevam a poluição do ar e representam risco à saúde da população, com impactos especialmente graves para comunidades indígenas que enfrentam barreiras de acesso a serviços de saúde. Um levantamento do Observatório de Clima e Saúde reúne dados sobre concentrações de poluentes, distribuição de focos de incêndio e previsões de qualidade do ar no estado.

O documento consolida informações sobre material particulado fino (PM2.5), que tem partículas capazes de penetrar profundamente nos pulmões e, em certas condições, alcançar a circulação sanguínea. A exposição ao PM2.5 está associada ao aumento do risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, como agravamento da asma, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Nos primeiros dias de outubro deste ano, Manaus registrou episódios de poluição atmosférica intensa, com concentrações de PM2.5 muito superiores aos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A publicação ressalta que crianças, pessoas idosas, gestantes e indivíduos com doenças preexistentes são grupos particularmente vulneráveis.

O levantamento apresenta a distribuição territorial das concentrações observadas e previstas de PM2.5 em relação aos focos de incêndio e às aldeias indígenas. Nos territórios indígenas, os riscos decorrentes da fumaça tendem a ser agravados pelas desigualdades socioambientais, pelas dificuldades de deslocamento e pelas limitações de acesso à atenção especializada e a serviços de maior complexidade.

O documento também aborda a possível intensificação do fenômeno El Niño em 2026 e 2027 e seus efeitos sobre as condições climáticas na região amazônica. A intensificação do fenômeno pode favorecer períodos de estiagem, aumentando a probabilidade de propagação de incêndios florestais em áreas suscetíveis.

Entre as iniciativas citadas está o desenvolvimento do Sistema AlertAr Saúde, ferramenta de monitoramento e previsão da qualidade do ar voltada à saúde indígena, em elaboração pelo Observatório de Clima e Saúde em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. O sistema busca integrar previsões de PM2.5 e informações sobre focos de calor e incêndios para identificar antecipadamente situações de maior exposição nos territórios indígenas.

Com esses dados, espera-se que Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e suas equipes de saúde possam planejar ações de vigilância, prevenção e resposta. A publicação indica a necessidade de acompanhamento contínuo das condições ambientais e do fortalecimento da capacidade de resposta em saúde para reduzir riscos nas populações mais expostas.

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