2 de Julho: Baianos vão às ruas de Salvador para celebrar a independência que é de todo um país

por Redação

Publicado em 02/07/2025,

às 17h34

“Nasce o Sol a dois de julho/Brilha mais que no primeiro/É sinal que neste dia/Até o Sol, até o Sol é brasileiro”. O hino ao 2 de julho, composto pelo poeta e militar Ladislau dos Santos Titara, anuncia: é dia de celebrar a Independência da Bahia. Titara, que participou das batalhas em Salvador que levaram à expulsão definitiva das tropas portugueses do Brasil em 1823, é reconhecido por traduzir em versos o espírito de uma luta que, para muitos historiadores, marca a verdadeira independência do país. Com o protagonismo de mulheres, pessoas negras e indígenas, as lutas travadas na Bahia, que culminaram no 2 de Julho, são motivo de celebrações e homenagens que, até hoje, ocupam as ruas da capital baiana com o desejo de liberdade eternizado nos versos do hino: “Nunca mais o despotismo/ Regerá nossas ações/Com tiranos não combinam/Brasileiros corações”.

Os festejos em Salvador nesta quarta-feira (2) tiveram início às 6h, com a tradicional alvorada com queima de fogos no Largo da Lapinha. Às 8h, o hasteamento das bandeiras por autoridades e a execução do hino nacional prepararam o início do desfile cívico, que contou com a participação de fanfarras, filarmônicas e grupos populares.

Milhares de pessoas seguiram o percurso até o Terreiro de Jesus, no Pelourinho, fechando a primeira parte do desfile. Ícones do cortejo, as imagens do Caboclo e da Cabocla são conduzidas em carros alegóricos ao longo de todo o trajeto, representando a composição popular do exército que tomou as ruas contra as forças coloniais.

“O 2 de Julho é mais que uma data: é o símbolo da luta e da coragem do povo baiano, que iniciou aqui o caminho pela Independência do Brasil. Hoje, celebramos a nossa história, nossa cultura e a força de quem nunca desistiu de lutar pela liberdade. Viva a Independência da Bahia!”, celebrou o governador Jerônimo Rodrigues (PT), por meio das redes sociais.

O desfile contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, num gesto simbólico, levantou um cartaz com uma mensagem a favor da taxação dos super ricos. Na terça-feira (1º), Lula também encaminhou um Projeto de Lei ao Congresso Nacional para tornar o dia 2 de julho o Dia Nacional da Consolidação da Independência do Brasil. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente ressalta a invisibilidade que a data ainda tem na memória coletiva da sociedade. “Isso não é conhecido da história porque não está nos livros didáticos brasileiros. A aprovação desse projeto vai mostrar para o Brasil inteiro, que além de Dom Pedro, o povo baiano teve muito a ver com a nossa independência.”

À tarde, o cortejo voltou a se concentrar em direção ao 2º Distrito Naval, no bairro do Comércio, onde foi realizada uma cerimônia cívica e, em seguida, as comemorações seguem no Campo Grande com acendimento da pira do Fogo Simbólico. A programação oficial segue até às 21h30, com o Encontro de Filarmônicas com o maestro Fred Dantas, reunindo músicos e comunidade em celebração cultural.

Um cortejo de muitas lutas
Seguindo o legado de resistência, a celebração do 2 de Julho também é espaço de reivindicação popular. Movimentos sociais, sindicais, partidos políticos e grupos culturais se organizam ao longo do desfile para defender seus direitos e dialogar com a sociedade.

Uma das iniciativas é a do Plebiscito Popular, lançada nacionalmente em abril deste ano pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. A proposta é consultar a população sobre temas centrais para a vida dos trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho e justiça tributária, com isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O Plebiscito, lançado no fim de maio na Bahia, realiza sua primeira coleta de votos no estado ao longo do cortejo.

Raquel Nery, presidenta do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub Sindicato), destaca a importância da iniciativa para ampliar o entendimento da sociedade do que é política. “[O plebiscito] é um modo de participação da democracia para além do voto”, aponta.

Nery também destaca que a entidade vai às ruas na luta contra a proposta de Reforma Administrativa em curso no Congresso e reacendida pelo presidente da Câmara Federal, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Para a presidenta, a iniciativa tem caráter neoliberal e é, na verdade, uma “deforma” administrativa.

“Eles estão dando a ela um tom de que é uma modernização do Estado brasileiro, que a gente quer mais moderno mesmo. Mas, no fundo, querem tocar em questões fundamentais, que é a estabilidade do servidor público, colocar o serviço público a serviço dos interesses dos setores econômicos que, de fato, tem poder de lobby dentro do Congresso Nacional”, avalia.

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